terça-feira, 10 de novembro de 2015

PRODUÇÃO TEXTUAL: 8o. ANO DO FUNDAMENTAL - 4o.BIMESTRE

http://www.conexaoprofessor.rj.gov.br/downloads/cm/cm_21_10_70_8A_4.pdf


Aula 1: O que é teatro?
Aula 02 Interjeição 
Aula 3: Adjetivo

AULA 1: O QUE É TEATRO?

O texto teatral é um texto narrativo que dispensa o narrador, uma vez que no teatro a história não nos é contada, mas “mostrada” pelos atores representando as personagens. Em virtude da falta do narrador, o diálogo constitui-se o elemento determinante da ação dramática. O texto teatral encenado exige elementos como o cenário, luz, figurino, maquiagem, gestos, movimento, etc. No texto teatral escrito, esses elementos estão presentes nas rubricas, que aparecem em letras de tipos diferentes, em itálico, por exemplo.
Contudo, é necessário explicitar que o objetivo do texto é mostrar o conceito de teatro num modo geral e aproveitamos o momento para deixar registrado que existem peças teatrais onde o narrador é indispensável para a história e completando, cenários não são indispensáveis, mas elementos que completam o mundo teatral.
Um bom exemplo de uma peça teatral onde o narrador é indispensável e o cenário não é essencial ao contexto do espetáculo o monólogo: “Viver sem tempos Mortos" da consagrada atriz Fernanda Montenegro onde a peça tem a intenção de partilhar com a plateia o esforço que precede a criação de um espetáculo, até chegar ao público. Agora observe algumas características de uma produção teatral.
Como toda narrativa, deve responder a algumas questões importantes, como:
O QUÊ_o(s) fato(s) que determina(m) a história- ENREDO
QUEM? _ seres que participam da história- PERSONAGENS;
COMO? _ o modo como se tecem os fatos;
ONDE? _ o lugar ou lugares da ocorrência - ESPAÇO
QUANDO? _ o momento ou momentos em que se passam os fatos – TEMPO
POR QUÊ? _ a causa do acontecimento.
Essas questões são respondidas no decorrer da história que apresenta a seguinte estrutura:
Situação inicial: trata-se do início da história, em que aparecem o lugar e a época dos acontecimentos e a apresentação dos personagens.

Desenvolvimento: vem logo após a introdução. Nessa parte, aparece o problema da história (CONFLITO) e os acontecimentos se desenvolvem. O momento mais emocionante da história chama-se CLÍMAX.
Desfecho: é a parte final da narrativa em o problema é resolvido.

A história pode ser contada por um personagem ou não. Isso depende do foco narrativo:

Foco narrativo de terceira pessoa – o narrador não participa dos fatos relatados.
Foco narrativo de primeira pessoa – o narrador se torna também um personagem, assumindo a condição de narrador protagonista ou narrador coadjuvante.Agora, iremos apresentar um trecho de uma obra teatral do autor “Dias Gomes” chamado de o “Pagador de Promessas”.

Introdução

“O HOMEM, no sistema capitalista, é um ser que luta contra uma engrenagem social que promove a sua desintegração, ao mesmo tempo que aparenta e declara agir em defesa de sua liberdade individual. Para adaptar-se a essa engrenagem, o indivíduo concede levianamente, ou abdica por completo de si mesmo. O Pagador de Promessas é a estória de um homem que não quis conceder – e foi destruído. Seu tema central é, assim, o mito da liberdade capitalista. Baseado no princípio da liberdade de escolha, a sociedade burguesa não fornece ao indivíduo os meios necessários ao exercício da dessa liberdade, tornando-a, ilusória. (GOMES, DIAS. 1972).

Primeiro ATO: Primeiro quadro.

A primeira cena da peça teatral inicia-se às quatro horas e trinta minutos. Ainda não havia amanhecido na cidade de Salvador e o casal Zé do Burro e sua esposa Rosa, chegam a frente à igreja de Santa Bárbara. Saíram às cinco da manhã do interior baiano e caminharam sete léguas até que chegam à igreja um pouco antes desse horário. Zé do Burro era um homem muito simples, proprietário rural de um pequeno pedaço de terra no interior do nordeste, donde tirava o sustento de sua família e possuía um burro, o Nicolau por quem tinha muito apego e que acreditava que tinha “alma de gente”. Uma fatalidade mudou o rumo de sua vida: um dia o burro foi atingido por uma queda de uma árvore, em virtude de um raio, deixando-o gravemente ferido. Zé do Burro desesperado ante essa situação, fez uma promessa à Santa Bárbara: caso seu burro se recuperasse, ele dividiria suas terras entre os necessitados e carregaria uma cruz tão pesada como a de Jesus até a igreja da Santa. Como em sua cidade não havia a respectiva igreja, fez a promessa em um terreiro de candomblé, onde ela é conhecida pelo nome de Iansã. Seu burro se recupera e assim, ele e sua esposa, partem em via crucis para cumprir o prometido e oferecer ao padre responsável pela referida igreja, à sua cruz.
Zé — (Olhando a igreja.) É essa. Só pode ser essa. (Rosa pára também, junto aos degraus, cansada, enfastiada e deixando já entrever uma revolta que se avoluma.)
Rosa — E agora? Está fechada.
Zé — É cedo ainda. Vamos esperar que abra.
Rosa — Esperar? Aqui?
Zé — Não tem outro jeito.
Rosa — (Olha-o com raiva e vai sentar-se num dos degraus. Tira o sapato.) Estou com cada bolha d’água no pé que dá medo.
Zé — Eu também. (Contorce-se de dor. Despe uma das mangas do paletó.) Acho que os meus ombros estão em carne viva.
Rosa — Bem feito. Você não quis botar almofadinhas, como eu disse.
Zé — (Convicto) Não era direito. Quando eu fiz a promessa, não falei em almofadinha.
Rosa — Então: se você não falou, podia ter botado; a Santa não ia dizer nada.
Zé — Não era direito. Eu prometi trazer a cruz nas costas, como Jesus. E Jesus não usou almofadinhas.
Rosa — Não usou porque não deixaram.
Zé — Não, esse negócio de milagres, é preciso ser honesto. Se a gente embrulha o santo, perde o crédito. De outra vez o santo olha, consulta lá os seus assentamentos e diz: — Ah, você é o Zé do Burro, aquele que já me passou a perna! E agora vem me fazer nova promessa. Pois vá fazer promessa pro diabo que o carregue, seu caloteiro duma figa! E tem mais: santo é como gringo, passou calote num, todos os outros ficam sabendo.
Rosa — Será que você ainda pretende fazer outra promessa depois dessa? Já não chega?
Zé — Sei não... a gente nunca sabe se vai precisar. Por isso, é bom ter sempre as contas em dia. (Ele sobe um ou dois degraus. Examina a fachada da igreja à procura de uma inscrição.)
Rosa — Que é que você está procurando?
Zé — Qualquer coisa escrita, pra a gente saber se essa é mesmo a igreja de Santa Bárbara.
Rosa — E você já viu igreja com letreiro na porta, homem?
Zé — É que pode não ser essa...
Rosa — Claro que é essa. Não lembra o que o vigário disse? Uma igreja pequena, numa praça, perto duma ladeira...
Zé — (Corre os olhos em volta.) Se a gente pudesse perguntar a alguém...
Rosa — Essa hora está todo mundo dormindo. (Olha-o quase com raiva.) Todo o mundo... Menos eu, que tive a infelicidade de me casar com um pagador de promessas. (Levanta-se e procura convencê-lo.) Escute, Zé... já que a igreja está fechada, a gente podia ir procurar um lugar para dormir. Você já pensou que beleza agora uma cama? ...
Zé — E a cruz?
Rosa — Você deixava a cruz aí e amanha, de dia...
Zé — Podem roubar...
Rosa — Quem é que vai roubar uma cruz, homem de Deus? Pra que serve uma cruz?
Zé — Tem tanta maldade no mundo. Era correr um risco muito grande, depois de ter quase cumprido a promessa. E você já pensou: se me roubassem a cruz, eu ia ter que fazer outra e vir de novo com ela nas costas da roça até aqui. Sete léguas.
Rosa — Pra quê? Você explicava à santa que tinha sido roubado, ela não ia fazer questão.
Fim do primeiro ato.
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A partir da leitura do texto responda:
1. Quais são os nomes dos personagens do texto?
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2. Qual era a condição financeira da família de Zé?
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3. Por que Zé tinha tanto carinho pelo burro da família?
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4. Zé cumpriu a promessa feita?
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5. Os personagens conseguiram encontrar a igreja da promessa?
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6. O texto teatral escrito apresenta alguns tipos de letras diferentes, em geral em itálico, que são chamados rubricas.Observe:

Rosa — (Olha-o com raiva e vai sentar-se num dos degraus. Tira o sapato.) Estou com cada bolha d’água no pé que dá medo. Discuta com seus colegas e responda: qual é a função das rubricas nesse tipo de texto?
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O que você acha que Zé deveria fazer? Deixar a cruz e ir para um quarto para poder descansar? Ou cumprir a risca a promessa feita para a recuperação de seu animal de estimação?Continue a história e mostre o que Zé e sua esposa farão depois de chegar à igreja e não ter ninguém para recebê-los.

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Caro aluno, vimos na primeira aula o que é um texto teatral e vamos a partir disso nos aprofundar nas características de um texto teatral.
Interjeição é a palavra invariável que exprime emoções, sensações, estados de espírito, ou que procura agir sobre o interlocutor, levando-o a adotar certo comportamento sem que, para isso, seja necessário fazer uso de estruturas linguísticas mais elaboradas. Observe o exemplo:
Droga! Preste atenção quando eu estou falando!
No exemplo acima, quem fala está muito bravo. Toda sua raiva se traduz numa palavra: Droga!
Ele poderia ter dito: - Estou com muita raiva de você! Mas usou simplesmente uma palavra. Ele empregou a interjeição Droga!
A interjeição também pode ser um recurso da linguagem afetiva, em que não há uma ideia organizada de maneira lógica, como são as sentenças da língua, mas sim a manifestação de um suspiro, um estado da alma decorrente de uma situação particular, um momento ou um contexto específico.

Exemplos:
1. Ah, como eu queria voltar a ser criança!
Ah: expressão de um estado emotivo = interjeição

2. Hum! Esse pudim estava maravilhoso!
Hum: expressão de um pensamento súbito = interjeição

O significado das interjeições está vinculado à maneira como elas são proferidas. Desse modo, o tom da fala é que dita o sentido que a expressão vai adquirir em cada contexto de enunciação.Exemplos:

1. Psiu!
Contexto: alguém pronunciando essa expressão na rua
Significado da interjeição (sugestão): "Estou te chamando! Ei, espere!”.

2. Psiu!
Contexto: alguém pronunciando essa expressão em um hospital
Significado da interjeição (sugestão): "Por favor, faça silêncio!”.

3. Puxa! Ganhei o maior prêmio do sorteio!
Puxa: interjeição
Tom da fala: euforia

4. Puxa! Hoje não foi meu dia de sorte!
Puxa: interjeição
Tom da fala: decepção

Encontre dentro do texto da aula 01, “o pagador de promessas”, exemplos de interjeições, destacando o trecho onde aparece e mostrando qual sentimento é expresso por ela.
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Complete o quadro com as interjeições corretas:

A - admiração B - espanto C - aversão D - alívio
( ) Nossa! Como você é formidável!
( ) Ufa! Terminamos o trabalho em tempo hábil.
( ) Credo! Não gostei do que você falou.
( ) Nossa! Que homem estranho está percorrendo pelas ruas do bairro.

Caro aluno, vimos na primeira aula o que é um texto teatral e vamos a partir disso nos aprofundar nas características de um texto teatral.
Adjetivo é a palavra que modifica o substantivo, atribuindo-lhe um estado, qualidade ou característica. O adjetivo pode ser simples, composto, primitivo, derivado e pátrio. I - Simples Quando possui um único elemento: brisa verde silêncio oportuno II - Composto Se formado por dois ou mais elementos: guerra franco-prussiana produto anglo-brasileiro III - Primitivo Quando não deriva de outra palavra: dinheiro falso marido fiel situação real

Aula 3: Adjetivo

Derivado Caso derive de um substantivo, um verbo ou outro adjetivo: dinheiro falsificado marido infiel situação irreal V - Pátrio ou Gentílico Trata-se daqueles que se referem a países, continentes, cidades e regiões, exprimindo nacionalidade ou origem: Acre - acreano Afeganistão - afegão, afegane Amapá - amapaense Angola - angolano Índia - indiano, hindu Pequim - pequinês
A partir dos poemas a seguir, destaque os adjetivos que fazem parte do poema.

Retrato (Cecília Meirelles)
Eu não tinha este rosto de hoje,
Assim calmo, assim triste, assim magro,
Nem estes olhos tão vazios,
Nem o lábio amargo.
Eu não tinha estas mãos sem força,
Tão paradas e frias e mortas;
Eu não tinha este coração
Que nem se mostra.
Eu não dei por esta mudança,
Tão simples, tão certa, tão fácil:
- Em que espelho ficou perdida a minha face?

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1) Transcreva os adjetivos da primeira estrofe que caracterizam o substantivo rosto.
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2) Observe o segundo verso: “Assim calmo, assim triste, assim magro.” A repetição da palavra “assim” dá um ritmo lento a esse verso.Qual a relação do ritmo do verso com a mudança sugerida no rosto do eu lírico?
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3) Observe a segunda estrofe.
Nos dois primeiros versos, o eu lírico observa a mudança ocorrida em suas mãos, partes significativas e simbólicas do corpo e que simbolizam força e luta pela vida.
a. Como as mãos são caracterizadas no poema? Pode-se deduzir como elas eram no passado? Por quê?
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b. Nos dois últimos versos, o eu lírico descreve seu coração, metáfora para os seus sentimentos.
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4) Quais são os adjetivos usados para mostrar como eram seus sentimentos antes? E quais foram empregados para mostrar como eles estão agora?
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5) Na terceira estrofe, no primeiro verso, o eu lírico percebe e assume que mudou fisicamente e interiormente. Transcreva os adjetivos usados para marcar como o eu lírico vê essa mudança.
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Caros alunos, agora vocês terão a oportunidade de fazer sua própria peça teatral! A letra da música “Romaria” de Renato Teixeira servirá como tema para a peça teatral. A proposta para a realização do texto será da seguinte forma:
Reuna-se com seus colegas e juntos criem um texto teatral a partir da história do romeiro da canção de Renato Teixeira.
Criem outras personagens e deem nome a todas elas. Coloque seus nomes antes de suas falas.
Insiram nas rubricas de movimento e de interpretação informações detalhadas sobre as cenas.
Na peça destaque os adjetivos e interjeições que foram retirados na canção.

Romaria
Renato Teixeira
Composição: Renato Teixeira
É de sonho e de pó, o destino de um só
Feito eu perdido em pensamentos
Sobre o meu cavalo
É de laço e de nó, de gibeira o jiló, dessa vida cumprida a só
Refrão
Sou caipira, Pirapora
Nossa Senhora de Aparecida
Ilumina a mina escura e funda
O trem da minha vida
O meu pai foi peão, minha mãe solidão
Meus irmãos perderam-se na vida
Em busca de aventuras
Descasei, joguei, investi, desisti
Se há sorte eu não sei, nunca vi
Me disseram porém que eu viesse aqui
Pra pedir de romaria e prece
Paz nos desaventos
Como eu não sei rezar, só queria mostrar
Meu olhar, meu olhar, meu olhar
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PRODUÇÃO TEXTUAL 9o.ANO DO FUNDAMENTAL 4o.BIMESTRE

http://www.conexaoprofessor.rj.gov.br/downloads/cm/cm_21_10_70_9A_4.pdf

Aula 1: O bom selvagem 
Aula 2: Um lugar na história
Aula 3: Qual é o personagem?
AULA 1: O BOM SELVAGEM

A temática indianista aparece nos romances brasileiros trazendo a idealização do índio, tentando retratar seus costumes, crenças e maneira de viver. Assim, o índio aparece como o bom selvagem, simbolizando um homem puro e de caráter que vira herói e chega até, em alguns momentos, a conviver com o homem branco.
A imagem do índio retratada nesses romances está longe de corresponder à realidade já que ele é descrito pelo homem branco através do olhar idealizador característico da estética do Romantismo. Essa idealização também aparece nas descrições sobre a natureza brasileira e sua exuberância.
Os romances mais expressivos com a temática indianista forma “O Guarani”, "Ubirajara" e "Iracema", de José de Alencar. Vejamos fragmentos dos romances: Iracema e O Guarani.
“Iracema, a virgem dos lábios de mel, que tinha os cabelos mais negros que a asa da graúna, e mais longos que seu talhe de palmeira. O favo da jati não era doce como seu sorriso; nem a baunilha recendia no bosque como seu hálito perfumado. Mais rápida que a corça selvagem, a morena virgem corria o sertão e as matas do Ipu, onde campeava sua guerreira tribo, da grande nação tabajara. O pé grácil e nu, mal roçando, alisava apenas a verde pelúcia que vestia a terra com as primeiras águas.”
Fonte:http://http://stat.correioweb.com.br/arquivos/educacao/arquivos/JosdeAlencar-Iracema1.pdf

“Mas todos os seus esforços tinham sido baldados; o fidalgo com a sua lealdade e o cavalheirismo apreciava o caráter de Peri, e via nele embora selvagem, um homem de sentimentos nobres e de alma grande. Como pai de família estimava o índio pela circunstância a que já aludimos de ter salvado sua filha, circunstância que mais tarde se explicará.”

Fonte:http:// http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/bv000135.pdf

O romance “O Guarani” retrata a história de Peri, um índio com características heroicas que ganha confiança de um fidalgo português por ter salvado a filha deste, Cecília. Dentre outras tramas do romance, Peri e Cecília apaixonam-se e, no final do romance, eles fogem para a mata formando a futura raça brasileira, mestiça.

Leia com atenção os trechos do romance “O Guarani” a seguir e responda:

A. “Contudo Cecília não podia acreditar o que ouvia; parecia-lhe inconcebível que um homem só, embora tivesse a dedicação e o heroísmo do índio, pudesse vencer não só os aventureiros revoltados, como os duzentos guerreiros Aimorés que assaltavam a casa.”

B. “— Mas, senhor; eu sou mãe, e não posso viver assim longe de meu filho, cheia de inquietações pela sua sorte.
— Entretanto, assim há de ser, porque assim o decidi.”

C. “Ainda assim quis resistir, quis ficar, esperando que os Aimorés continuariam o sacrifício; mas conheceu que a resolução de Álvaro era inabalável como a sua.”

D. “Debateu-se um momento contra a poderosa gravitação que o vergava para a terra; mas era homem, e tinha de ceder à lei da criação. Entretanto, sucumbindo o valente índio resistia sempre; e vencido parecia querer lutar ainda.”
Atividade 1

E. “Uma lembrança triste, porém o assaltou; vendo os lindos objetos que a moça recebera, pensou que podia dar-lhe a sua vida, mas que não tinha primores como aqueles para ofertar-lhe.”

1. Retire o trecho em que aparece um sinal de pontuação que serve para indicar a fala de um personagem. Diga qual o nome desse sinal.
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2. Em quais trechos podemos notar as qualidades de Peri?
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3. As conjunções são conectivos que estabelecem relações entre as orações nos períodos, ligando um vocábulo a outro. Sabendo que as conjunções podem expressar vários sentidos (adição, conclusão, comparação, explicação e contradição), explique que sentido é apontado pelas conjunções destacadas nos trechos anteriores do romance “O Guarani”.
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4. Nos trechos:

“Cecília não podia acreditar o que ouvia; parecia-lhe inconcebível”

“Ainda assim quis resistir, quis ficar, esperando que os Aimorés continuariam o sacrifício; mas conheceu que a resolução de Álvaro era inabalável como a sua.”

“Vendo os lindos objetos que a moça recebera, pensou que podia dar-lhe a sua vida, mas que não tinha primores como aqueles para ofertar-lhe.”

Marque a opção correta. Os termos destacados se referem a:

(a) ouvia, resolução, floresta, moça.
(b) ouvia, Aimorés, Álvaro, objetos.
(c) Cecília, inabalável, moça, objetos.
(d) acreditar, inabalável, moça, primores.
(e) Cecília, resolução, moça, moça.

AULA 2: UM LUGAR NA HISTÓRIA

Caro aluno, outra possível abordagem do gênero romance é o chamado Romance Histórico. Só pelo nome já podemos deduzir do que se trata. Ele é chamado de romance histórico por sua construção se basear em personagens, acontecimentos e lugares históricos, misturando fatos ficcionais e fatos históricos. Nestas narrativas, as características espaciais, temporais, sociais e culturais de uma época distante são descritas minuciosamente para dar mais veracidade à história. Essa vertente do romance não teve muitas produções se comparadas aos romances indianistas, urbanos e regionalistas, mas teve bons autores como Joaquim Manuel de Macedo, Júlio Ribeiro, Bernardo Guimarães, Franklin Távora, dentre outros. Vejamos um trecho do Romance “As mulheres de mantilha”, de Joaquim Manuel de Macedo - (1870). A cidade do Rio de Janeiro era naqueles tempos muito diferente do que é hoje: o aspecto ainda das melhores casas era triste e indicava a educação clausural das famílias: abundavam as casas térreas e de um só pavimento, e essas reservavam as portas e batentes das janelas para se trancarem à noite, mas de dia tinham os vãos das portas e janelas defendidos aos olhos curiosos por peneiros ou tecidos de palha firmados em um quadrado de sarrafos, quase penduravam, ou se podiam mover encaixilhados; as casas de dois ou mais pavimentos, quase todas uniformemente de três portas eram de sacadas com grades de madeira mais ou menos completas e sombrias: mais ou menos porque essas grades ou eram da altura de meio corpo do homem, ou tinham a altura do pé-direito do pavimento que sombreavam, de modo que simularam triste prisão; em regra abriam-se pequenos postigos nesse engradamento, postigos maiores e cômodos na altura em que deviam ser as janelas, para que as senhoras deles se aproveitassem, olhando a rua, e pequenos postigos rentes ou quase rentes com o assoalho para que as senhoras ou as escravas debruçando-se vissem menos expostas ao público, o que se passava na rua, ou chamassem os pregoeiros vendedores de quanto podiam precisar a mesa da família.

 http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/bn000123.pdf

Vocabulário:
Clausural – relativo a recinto fechado
Batentes – ombreira em que bate a porta quando se fecha
Sarrafos - tira comprida e estreita de madeira
Encaixilhados- emoldurados
Postigos – Pequena porta.
Abertura quadrangular, munida de portinhola, em portas ou janelas, para olhar através delas sem abri-las.
Pregoeiros- Indivíduo que apregoa ou lança pregão.Leiloeiro.

Um dos fatores indispensáveis para a compreensão de um texto é a coesão. A coesão é um recurso linguístico que utiliza conectivos para ligar termos de uma frase ou orações de um período, ela é fundamental para formarmos parágrafos bem construídos. Os conectivos podem ser conjunções, pronomes, preposições, advérbios etc.

1. Insira conectivos adequados (preposições ou pronomes) nas frases do romance “As mulheres de mantilha”, de Joaquim Manuel de Macedo, para que as frases sejam coesas:
a. Reservavam as portas e batentes das janelas __________ se trancarem à noite.
b. O formal pedido da sua intervenção para que ela se casasse _________ o mancebo recrutado.
c. E deitando no cálice algumas gotas ______ vinho, fingiu que murmurava palavras.
d. Alexandre Cardoso sentiu a natureza dos golpes que sobre _______ descarregava a terrível e ciumenta amante.
e. Viveu feliz e teve de _____ união duas filhas: Irene e Inês; dera à primeira o nome de _____ mãe, à segunda o nome de _____ esposa.
f. – Casamento! Darias a mão de tua afilhada a __________ homem? 

2. Insira termos que colaborem para a compreensão dos fragmentos a seguir, retirados do romance “As mulheres de mantilha”, de Joaquim Manuel de Macedo. Lembre-se: o que vale é deixar os fragmentos com sentido. Assim, se a informação é de um lugar, insira um nome de uma cidade, se é o nome de algo, complete o espaço com um substantivo. Seja criativo.

a) Avivemos um pouco a lembrança da festa profana dos_________ que em suma era na cidade do _________________ como em toda parte do Brasil. A festa popular da noite dos Reis era a que rematava as festas do Natal, que, acompanhando as ________________ comemorações da _______________, começavam na noite de 25 de dezembro pela exposição dos presepes, onde se figurava a cidade de _____________, o lugar _________________ do berço do Menino Deus, um campo cheio de pastores e de multidão de animais, _________________, flores, rios, fontes e cascatas, tudo em mais ou menos bem feita miniatura, e tudo perturbado por mais ou menos anacronismos e impropriedades, que aliás não preocupavam nem aos mais entendidos em história natural e na arqueologia.
b) Na cidade do_______________________era quase obrigada, era de costume a reunião dessas sociedades no grande _______________ do convento de Nossa Senhora da ________________. Ali se terminava a festa, a folia de cada uma das duas noites pelas razões mais justas e _______________________. Em primeiro lugar, essa concentração das sociedades dos Reis no pátio do convento da Ajuda era moda no século _______________ e a moda é lei; em segundo o presepe do convento da Ajuda passava por ser o mais famoso ou pelo menos um dos mais _______________ da cidade, e, portanto, atraía numerosa ____________________; em terceiro as freiras da Ajuda eram, como ainda hoje o são habilíssimas e _________________ mestras de doces e de empadas, que então não poupavam ao regalo das sociedades, que recebiam os presentes em tabuleiros e bandejas cobertas com riquíssimas toalhas _________________________; em quarto e último lugar era de costume que o pátio do convento da Ajuda se transformasse nessas noites em outeiro poético; as freiras que estavam às grades davam motes e muitos bons e maus poetas glosavam de improviso.

http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/bn000123.pdf

3. Levando em consideração as características do romance histórico, dê continuidade ao trecho do romance a seguir, não se esquecendo de construir um texto com coesão e coerência.
Na cidade do Rio de Janeiro era quase obrigada, era de costume a reunião dessas sociedades no grande pátio do convento de Nossa Senhora da Ajuda. Ali se terminava a festa, a folia de cada uma das duas noites pelas razões mais justas e convenientes. Em primeiro lugar essa concentração das sociedades dos Reis no pátio do convento da Ajuda era moda no século passado e a moda é lei...

http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/bn000123.pdf 
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AULA 3: QUAL É O PERSONAGEM?

Caro aluno, agora que conhecemos um pouco mais sobre os aspectos gerais do romance, vamos pensar nos personagens! Já pensou nos seus personagens favoritos? Que tipo de personagem de romance você gostaria de ser? Quando lemos um romance, somos envolvidos por um enredo / trama em que aparecem personagens, acontecimentos e ideias. Esses elementos centrais do desenrolar do romance andam sempre unidos e são essenciais para o bom desenvolvimento da história. É através desses elementos que entendemos o que o autor quer nos passar a respeito de suas ideias sobre a sociedade daquela época e como ele vê as relações complexas entre seres humanos. O personagem é um ser fictício, criado para viver situações, conflitos e que, quase sempre, tenta se aproximar dos tipos que existem por aí. O autor, através do personagem, dá voz as suas opiniões e tenta criar uma identificação entre leitor e personagem para que o personagem pareça real. Histórias são sempre feitas sobre a vida de alguém, algum acontecimento na história, algum drama ou relato pessoal. Não existe história sem personagem e os personagens aparecerão no romance com menor ou maior destaque. Vejamos algumas funções que os personagens desempenham no romance.

Protagonista – A história vai girar em torno dele, já que é o protagonista que estará no eixo central da trama. Geralmente, é o herói da história, podendo existir mais de um num mesmo romance. Por exemplo, no romance “A Moreninha”, de Joaquim Manuel de Macedo, Carolina e Augusto são os protagonistas. 

Antagonista – É o personagem rival ao protagonista, aquele que se opõe aos objetivos e planos do personagem principal. Pode ser considerado o vilão.

Coadjuvante - É um personagem secundário, que vai exercer outro papel na história, podendo ser muito importante no desenrolar da história ou não. Um exemplo é o Chapeleiro Maluco de Alice no País das Maravilhas.

Figurante – É o personagem que só parece para compor uma cena, não é fundamental para o enredo principal. Os índios no romance “O Guarani” ou os escravos em Escrava Isaura são figurantes da história. 
Anti-herói – É o personagem principal, mas que se comporta de maneira diferente dos mocinhos clássicos. Macunaíma e Shrek são exemplos de anti-heróis. Vejamos um trecho do romance “Macunaíma”, de Mário de Andrade, no qual aparece um dos anti-heróis mais famosos da literatura brasileira.

No fundo do mato-virgem nasceu Macunaíma, herói de nossa gente. Era preto retinto e filho do medo da noite. Houve um momento em que o silêncio foi tão grande escutando o murmurejo do Uraricoera, que a índia tapanhumas pariu uma criança feia. Essa criança é que chamaram de Macunaíma.
Já na meninice fez coisas de sarapantar. De primeiro: passou mais de seis anos não falando. Se o incitavam a falar exclamava: If — Ai! que preguiça!. . . e não dizia mais nada." 

http://download.baixatudo.globo.com/docs/Macunaima.pdf

Nas questões 1 e 2, marque a opção correta sobre o trecho do romance “Macunaíma” lido acima.

1. O ponto de exclamação (!) foi usado:
(a) para fazer um questionamento.
(b) para encerrar uma frase declarativa
(c) Com a intenção de marcar uma abreviatura
(d) Depois de uma interjeição e de uma locução interjeitiva.
(e) Antes dos (...) para indicar continuidade no texto

2. As reticências (...) foram usadas:
(a) para indicar interrupção do pensamento.
(b) para enfatizar a reação do personagem
(c) para realizar citações incompletas
(d) para indicar continuidade de uma ação ou fato.
(e) para encerrar a frase interrogativa

3. Leia o trecho a seguir e verifique se você consegue identificar as características do personagem Francisco, do romance “O Matuto”, de Franklin Távora.

Francisco era semi-branco, corpulento, espadaúdo e de boa estatura. Tinha no semblante a expressão da virilidade e da resignação do que luta quase incessantemente com a pobreza, e a vence a pouco, por ventura mais forte, mas nunca invencível. Os matutos podem dividir-se em diferentes espécies, mas as mais comuns são as dos lavradores e almocreves. Os primeiros são os que dispõem de alguns meios, a saber, escravos, cavalos, terras, os quais sem darem para ter um engenho ou, ao menos, para movê-lo, por si sós habilitam o que os possuem, a cultivar a cana nas terras do engenho alheio, posto que sujeito a dividir com o respectivo proprietário o açúcar apurado em cada safra. Os últimos são os que se alugam com sua pessoa e seu cavalo para a condução de cargas, por ajustado frete. Os lavradores são matutos limpos, que entram muitas vezes nos negócios íntimos do grande proprietário, merecem a estima deles, a pesam com seu conselho na decisão dos interesses comuns. Aos almocreves já não sucede o mesmo. Paga-lhes o senhor de engenho o salário, e eles retiram-se a seus casebres onde vão comer, com a mulher e com a ninhada de filhos que ordinariamente contam, o escasso pão que lhes deram o cavalo magro e o trabalho puxado e cansado.

http://objdigital.bn.br/Acervo_Digital/Livros_eletronicos/matuto.pdf pag 5

a) Quais as principais características de Francisco mencionadas no romance?

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b) Explique, com suas palavras, as diferenças entre lavradores e almocreves.

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c) A partir do fragmento lido, escreva um trecho de narrativa, apresentando um personagem trabalhador, de origem humilde, suas características, o local de seu trabalho e sua rotina. Inspire-se no fragmento acima e seja criativo.

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Leia o trecho do romance Macunaíma e responda:

Macunaíma brincava para não desmentir a fama só porém quando Ci queria rir com ele de satisfação:
— Ai! que preguiça!... que o herói suspirava enfarado.
E dando as costas para ela adormecia bem. Mas Ci queria brincar inda mais... Convidava ...convidava... O herói ferrado no sono. Então a Mãe do Mato pegava na txara e cutucava o companheiro. Macunaíma se acordava dando grandes gargalhadas estorcegando de cócegas.
— Faz isso não, oferecida!
— Faço!
— Deixa a gente dormir, meu bem...
— Vamos brincar.
— Ai! que preguiça!...
E brincavam mais outra vez
Porém nos dias de muito pajuari bebido, Ci encontra o Imperador do Mato-Virgem largado por aí num porre mãe. Iam brincar e o herói esquecia no meio.
— Então, herói!
— Então o quê!
— Você não continua?
— Continua o quê!
— Pois, meus pecados, a gente está brincando e vai você pára no meio!
— Ai! que preguiça...

1. Caro aluno, reconheça o sentido que o sinal de pontuação fornece ao texto.

A. Na frase: ‘— Deixa a gente dormir, meu bem...’, as reticências (...) foram usadas:
(a) para indicar interrupção do pensamento.
(b) para enfatizar a reação do personagem
(c) para realizar citações incompletas
(d) para indicar continuidade de uma ação ou fato.
(e) Para interromper um pensamento de forma que o leitor subentenda o que seria enunciado

B. Na frase: ‘— Ai! que preguiça!...’, o travessão foi usado:
(a) para indicar mudança de interlocutor em um diálogo
(b) para substituir a vírgula
(c) para enfatizar uma expressão
(d) para separar frases explicativas
(e) para realçar o aposto

C. Na frase: “Mas Ci queria brincar inda mais... Convidava... convidava...”, as reticências foram usadas:
(a) para indicar interrupção do pensamento.
(b) para indicar hesitações
(c) para realizar citações incompletas
(d) para indicar continuidade de uma ação ou fato.
(e) Para interromper um pensamento de forma que o leitor subentenda o que seria enunciado.

D. Na frase “— Pois, meus pecados, a gente está brincando e vai você pára no meio!”, o ponto de exclamação fui usado:
(a) para exprimir felicidade.
(b) para marcar a interjeição
(c) após uma frase imperativa
(d) para exprimir indignação
(e) para exprimir medo

2. Troque os conectivos destacados por outros que mantenham a coesão do texto.
a. “Macunaíma brincava para não desmentir a fama” 
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b. “Mas Ci queria brincar inda mais...”
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c. “Então a Mãe do Mato pegava na txara e cutucava o companheiro.”

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d. Porém nos dias de muito pajuari bebido, Ci encontra o Imperador do Mato-Virgem largado por aí num porre mãe.
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http://www.conexaoprofessor.rj.gov.br/downloads/cm/cm_21_10_70_9A_4.pdf

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

POEMA E POESIA PELOS ALUNOS

Solicitei aos meus alunos do CIEP 021 General Osório (Nova Iguaçu, R.J) do 1o.ano do ensino médio, após a  aula sobre poema e poesia, que criassem seus próprios poemas, sobre os mais diversos temas: saudade, amizade, amor, saudade, tristeza, etc. Pedi também que fizessem com apenas quatro versos (quadrinhas), e disse a eles que publicaria em meu blog. Demorei, mas finalmente cumpri a promessa... No comentário deste post, escreva qual você gostou mais ou... detestou mais ! (colocando o nome do aluno-autor).
 
"O amor é uma esperança
Que engana quando criança
Quando bate no peito
O amor é perfeito."
 
(Auriane de Araújo, turma 1001, manhã)
 
 
"Queria ser
Um envelope
Pra você
Me encher de selinho."
 
"Almas que
Se encontram
Jamais
Se sentirão sozinhas." 
 
(Cassiane Oliveira, turma 1001, manhã) 
 
"O amor é o fogo da paixão
Vivido por uma só emoção,
Eu, você e eles, todos juntos
Em uma só, grande união."
 
(Lorrane de Souza, turma 1001, manhã)
 
 
"De amor morreu Julieta,
De amor morreu Romeu,
E eu estou morrendo,
Por um amor que não é  meu."
 
(Ananda Evelyn, turma 1001, manhã)
 
"Se algum dia,
Amar for um crime,
Criminoso eu quero ser.
Porque por toda minha vida,
Eu só quero amar você."    
 
(David Willamis, turma 1001,  manhã)
 
"Amor verdadeiro é aquele,
Que o tempo não apaga,
O vento não leva,
E a distância não destrói."
 
(Rafaela Vitória, turma 1001, manhã)
 
"A tristeza vem e vai,
O amor fica e dói,
Seu abraço é apertado,
Pois é o coração que constrói."
 
(Camila de O. Marques, turma 1001, manhã)
 
"Quem ama não desiste,
Não trai, não mente.
Quem ama é paciente,
Confia, entende." 
 
(Alexsandro Mattos, turma 1001, manhã)
 
"Te amei no passado,
Te amei no presente,
Se o futuro permitir,
Te amarei eternamente."
 
(Moisés, turma 1001, manhã)
 
" Queria ser poeta,
Mas poeta não posso ser.
Porque poeta pensa muito,
E eu só penso em você."
 
(Maicon, turma 1002, manhã)
 
"Chuva que cai do céu,
Cai do alto, com sabor de mel."
 
"Lua bonita que é feita com amor,
ilumina tanto, que acaba com a dor."
 
(Raiane, turma 1002, manhã)
 
"Coração amigo,
Coração ferido,
Sem você não vivo,
Coração amigo."
 
"Amigo do coração,
Não me deixe na mão,
Por você eu perdi
Minha grande paixão."
 
(Juliana da Silva, turma 1002, manhã)
 
 
"Atirei limão pro alto,
Aparei no canivete,
Conversa de adulto,
Criança não se mete."
 
"Fui dormir na minha varanda,
Esqueci do cobertor,
Quando acordei e abri os olhos,
Consegui cuspir uma flor."
 
"Queria ser poeta,
E também ser um cigarro,
Só pra eu pensar muito
E no final morrer em seus lábios."
 
(Jean Carlos, turma 1002, manhã)
 
"A vida não me faz,
Sou eu que faço a vida,
Vou levando essa vida,
A vida levando eu vou."
 
(Luiz Felipe da Silva, turma 1002, manhã)
 
"Minha mente confronta
Com tudo que o olho vê.
Meu estômago ronca,
Mas não consigo comer."
 
"Me envolvi,
Não sei como é
Que vou resolver.
Paguei pra ver,
Vou morrer,
De tanto viver."
 
(Luiz Felipe de Andrade, turma 1002, manhã)
 
"Adoro  seu jeito de me abraçar,
Adoro seu jeito de me beijar,
Adoro seu jeito de falar,
Adoro o brilho do seu olhar."
 
(Lucas Leal, turma 1002, manhã)
 
"Eu acordo de manhã,
Pronto para estudar.
Mas a  preguiça fala mais alto,
Que não consigo levantar."
 
(Jonathan Carvalho, turma 1002, manhã)
 
"Por menores que sejam
As palavras de amor,
Não tenho muito a dizer.
Pois elas não expressam
O que eu sinto por você."
 
(Lucas Dias, turma 1002, manhã)
 
" Não peço desculpas,
Estando certo ou errado.
Posso até me arrepender,
Mas eu tinha te falado."
 
"Odeio falsidade,
Odeio traição.
Foi  falar comigo,
Vai comer na minha mão."
 
"Tá arrependido?
O problema é teu!
Mexeu comigo ?
Vou mostrar quem se f..."
 
(Kelly Angélica, turma 1002, manhã)
 
"A vida é curta demais,
Tanto que não dá pra voltar atrás.
A vida é uma só,
Tanto que acaba em pó."
 
(Raiane Pacífico, turma 1002, manhã)
 
"Não gosto de futebol,
Futebol eu odeio.
Futebol é coisa de menino,
Que faz isso no recreio."
 
"Não gosto de fazer rimas,
Rimas eu não sei fazer,
Eu só estou fazendo rimas,
Porque é minha obrigação fazer."
 
(Raissa Cristina e Jaciane Ribeiro, turma 1002, manhã)
 
"Amor é paixão,
Amore é ilusão.
Amor é saber
que eu amo você."
 
(Jéssica Larissa, turma 1002, manhã)
 
"Exemplo de traição:
Tu matastes teu irmão.
Foi preso numa prisão,
E vivestes sem perdão."
 
"A paz é pra quem tem paciência,
A vida é pra quem sabe viver,
A história cada um cria a sua,
E a vitória é pra quem sabe vencer." 
 
(Mateus Barbosa, turma 1002, manhã)
 
"Amizade é tudo,
Tudo que se precisa,
Para não cometer o absurdo,
De viver na solidão e em cinzas."
 
(Raissa Nunes, turma 1002, manhã)
 
"Tudo está trancado,
Meu coração não suportou,
Mais uma vez caí em prantos,
Mais uma vez você me magoou."
 
(Menilla e Joyce Menezes, turma 1002, manhã)
 
 
 
 
 
    
 
 
 
 

sábado, 12 de outubro de 2013


Poema e poesia

Poema é um gênero textual em versos e, mais raramente, em prosa em que a poesia, forma de expressão estética através da língua, geralmente se manifesta. Além dos versos, não obrigatoriamente, fazem parte da estrutura do poema as estrofes , a rima e a métrica.
Conforme a disposição dos versos e dos outros elementos estruturais, os poemas podem receber classificações ou nomes específicos (ou ser considerados gêneros literários próprios) tais como rapanha , haicai , poema-colagem, soneto, poema dramático, poema figurado, epopeia, etc.
Fortemente relacionado com a música, beleza e arte, o poema tem as suas raízes históricas nas letras de acompanhamento de peças musicais. Até a Idade Média, os poemas eram cantados. Só depois o texto foi separado do acompanhamento musical. Tal como na música, o ritmo tem uma grande importância.
  • Poema: gênero textual em verso em que na maioria das vezes há poesia.
  • Poesia: caráter do que emociona, toca a sensibilidade e sugere emoções por meio de uma linguagem.

http://pt.wikipedia.org/wiki/Poema

 POESIA NA PROSA

“Tinha suspirado. Tinha beijado o papel devotamente. Era a primeira vez que lhe escreviam aquelas sentimentalidades. E o seu orgulho dilatava-se ao calor amoroso que saía delas, como um corpo ressequido que se estira num banho tépido.Sentia um acréscimo de estima por si mesma! E parecia-lhe  que entrava enfim, numa existência superiormente interessante...Onde cada hora tinha seu intuito diferente, cada passo conduzia um êxtase... E a alma se cobria de um luxo radioso de sensações...”

(livro O Primo Basílio, do escritor português Eça de Queirós, capítulo VI, p. 179.)


POESIA NA PROPAGANDA


http://trocandoideiasuscs.zip.net/



http://agenciadinamic.wordpress.com/tag/poesia/



POESIA NA CANÇÃO

CIRANDA DA ROSA VERMELHA
Intérprete:Elba Ramalho
Compositor: Alceu Valença
Teu beijo doce tem sabor do mel da cana
Sou tua ama, tua escrava, teu amor
Sou tua cama, teu engenho, teu moinho
Tu és feito passarinho que se chama beija-flor
Sou tua cama, teu engenho, teu moinho
Tu és feito passarinho que se chama beija-flor
Sou rosa vermelha
Ai, meu bem querer
Beija-flor sou tua rosa
Hei de amar-te até morrer
Quando tu voas pra beijar as outras flores
Eu sinto dores, um ciúme e um calor
Que toma o peito, o meu corpo, invade a alma
Só meu beija-flor acalma tua escrava, meu senhor
Que toma o peito, o meu corpo, invade a alma
Só meu beija-flor acalma tua escrava, meu senhor

Quando tu voas pra beijar as outras flores
Eu sinto dores, um ciúme e um calor
Que toma o peito, o meu corpo, invade a alma
Só meu beija-flor acalma tua escrava, meu senhor
Que toma o peito, o meu corpo, invade a alma
Só meu beija-flor acalma tua escrava, meu senhor
Sou rosa vermelha
Ai, meu bem querer
Beija-flor sou tua rosa
Hei de amar-te até morrer
Beija-flor sou tua rosa
Hei de amar-te até morrer
Link: http://www.vagalume.com.br/elba-ramalho/ciranda-da-rosa-vermelha.html#ixzz2PRU49z5E

POESIA NO POEMA

 
URGENTE!


 
Uma
gota
de
orvalho
caiu hoje, às 8 h, do dedo anular
direito, do Cristo Redentor, no
Rio de Janeiro
Seus restos
não foram
encontrados.
A polícia
não acredita
em
acidente
Suspeito:
o
vento.
Os meteorologistas,
os poetas e
os passarinhos choram inconsoláveis.
Testemunha
presenciou a queda: “Horrível!
Ela se evaporou na metade do caminho!”

CAPARELLI, Sérgio. Tigres no quintal. Kuarup, 1989.




POESIA NO CINEMA

"(...) Pessoas morrem, edifícios queimam. Mas o verdadeiro amor é para sempre."


Assim abre o climático filme que vitimou Brandon Lee. O diretor Alex Proyas (Eu, Robô) se entrega a uma verdadeira poesia gótica e de grande beleza. Na trama, Eric Draven é um músico que vive com a noiva, Shelly (Sofia Shinas). Os dois se casariam no halloween, mas seus planos foram interrompidos pelos capangas de Top Dollar (Michael Wincott), um chefão do crime que domina Detroit.

Brutalmente assassinados (Shelly é violentada) o casal sobrevive apenas nas lembranças da pequena Sarah (Rochelle Davis), uma garota esperta deixada de lado pela mãe drogada, cujo refúgio era o carinho dos dois - especialmente de Shelly.

Um ano após o incidente, é Noite do Demônio outra vez. Uma noite em que a cidade arde em chamas. Uma data criada por Top Dollar, e a tradição é incendiar prédios e casas. No cenário caótico de destruição, Eric se ergue do túmulo, e após um grito de desespero, segue guiado pela misteriosa figura do pássaro negro. Em seu antigo apartamento, o ressurrecto revive os momentos finais, a angústia e o sofrimento. Dele e de Shelly. Possesso pela fúria, Eric pinta o próprio rosto, assumindo a identidade do espírito da vingança.
http://griteoutravez.blogspot.com.br/2010/06/o-corvo-crow-eua-1994.html


 O poema que o personagem Eric Draven recita quando entra na loja de Gideon é "The Raven", de Edgar Allan Poe.Ou seja, o poema inspirou uma história em quadrinhos, The Crow, de James O'Barr, e o filme de mesmo nome.
http://medob.blogspot.com.br/2013/01/curiosidades-sobre-o-filme-o-corvo-1994.html

Leia  o poema de Edgar Allan Poe, traduzido do original inglês para o português, por Machado de Assis:

O CORVO

Em certo dia, à hora
Da meia-noite que apavora,
Eu, caindo de sono e exausto de fadiga,
Ao pé de muita lauda antiga,
De uma velha doutrina agora morta,
Ia pensando, quando ouvi à porta
Do meu quarto um soar devagarinho,
E disse estas palavras tais:
"É alguém que me bate à porta de mansinho;
Há de ser isso e nada mais".
Ah! bem me lembro! bem me lembro!
Era no glacial dezembro;
Cada brasa do lar sobre o colchão refletia
A sua última agonia.
Eu ansioso pelo Sol, buscava
Sacar daqueles livros que estudava
Repouso (em vão!) à dor esmagadora
Destas saudades imortais
Pela que ora nos céus anjos chamam Lenora,
E que ninguém chamará mais.

E o rumor triste, vago, brando
Das cortinas ia acordando
Dentro em meu coração um rumor não sabido,
Nunca por ele padecido.
Enfim, por aplacá-lo aqui, no peito,
Levantei-me de pronto, e "Com efeito,
(Disse), é visita amiga e retardada
"Que bate a estas horas tais.
"É visita que pede à minha porta entrada:
"Há de ser isso e nada mais".

Minh'alma então sentiu-se forte;
Não mais vacilo, e desta sorte
Falo: "Imploro de vós - ou senhor ou senhora,
Me desculpeis tanta demora.
"Mas como eu, precisando de descanso
"Já cochilava, e tão de manso e manso,
"Batestes, não fui logo, prestemente,
"Certificar-me que aí estais".
Disse; a porta escancar, acho a noite somente,
somente a noite, e nada mais.

Com longo olhar escruto a sombra
Que me amedronta, que me assombra.
E sonho o que nenhum mortal há já sonhado,
Mas o silêncio amplo e calado,
Calado fica; a quietação quieta;
Só tu, palavra única e dileta,
Lenora, tu, com um suspiro escasso,
Da minha triste boca sais;
E o eco, que te ouviu, murmurou-te no espaço;
Foi isso apenas, nada mais.

Entro co'a alma incendiada.
Logo depois outra pancada
Soa um pouco mais forte; eu, voltando-me a ela:
"Seguramente, há na janela
Älguma coisa que sussurra. Abramos,
"Eia, fora o temor, eia, vejamos
"A explicação do caso misterioso
Dessas duas pancadas tais,
"Devolvamos a paz ao coração medroso,
"Obra do vento, e nada mais".

Abro a janela, e de repente,
Vejo tumultuosamente
Um nobre corvo entrar, digno de antigos dias.
Não despendeu em cortesias
Um minuto, um instante. Tinha o aspecto
de um lord ou de uma lady. E pronto e reto,
Movendo no ar as suas negras alas,
Acima voa dos portais,
Trepa, no alto da porta em um busto de Palas:
Trepado fica, e nada mais.

Diante da ave feia e escura,
Naquela rígida postura,
Com o gosto severo, - o triste pensamento
Sorriu-me ali por um momento,
E eu disse: "Ó tu que das noturnas plagas
"Vens, embora a cabeça nua tragas,
"Sem topete, não és ave medrosa,
"Dize os teus nomes senhoriais;
"Como te chamas tu na grande noite umbrosa?"
E o corvo disse: "Nunca mais".

Vendo que o pássaro entendia
A pergunta que eu lhe fazia,
Fico atônito, embora a resposta que dera
Dificilmente lha entendera.
Na verdade, jamais homem há visto
Coisa na terra semelhante a isto:
Uma ave negra, friamente posta
Num busto, acima dos portais,
Ouvir uma pergunta a dizer em resposta
Que este é seu nome: "Nunca mais".

No entanto, o corvo solitário
Não teve outro vocabulário.
Como se essa palavra escassa que ali disse
Toda sua alma resumisse,
Nenhuma outra proferiu, nenhuma.
Não chegou a mecher uma só pluma,
Até que eu murmurei: "Perdi outrora
"Tantos amigos tão leais!
"Perderei também este em regressando a aurora".
E o corvo disse: "Nunca mais!"

Estremeço. A resposta ouvida
É tão exata! é tão cabida!
"Certamente, digo eu, essa é toda a ciência
"Que ele trouxe da convivência
"De algum mestre infeliz e acabrunhado
"Que o implacável destino há castigado
"Tão tenaz, tão sem pausa, nem fadiga,
"Que dos seus cantos usuais
"Só lhe ficou, na amarga e última cantiga,
"Esse estribilho: "Nunca mais".

Segunda vez nesse momento
Sorriu-me o triste pensamento;
Vou sentar-me defronte ao corvo magro e rudo;
E, mergulhando no veludo
Da poltrona que eu mesmo ali trouxera,
Achar procuro a lúgubre quimera,
A alma, o sentido, o pávido segredo
Daquelas sílabas fatais,
Entender o que quis dizer a ave do medo
Grasnando a frase: "Nunca mais".

Assim pôsto, devaneando,
Meditando, conjeturando,
Não lhe falava mais; mas, se lhe não falava,
Sentia o olhar que me abrasava.
Conjeturando fui, tranqüilo, a gosto,
Com a cabeça no macio encosto
Onde os raios da Lâmpada caíam,
Onde as tranças angelicais
De outra cabeça outrora ali se desparziam
E agora não se esparzem mais.

Supus então que o ar, mais denso,
Todo se enchia de um incenso,
Obra de serafins que, pelo chão roçando
Do quarto, estavam meneando
Um ligeiro turíbulo invisível:
E eu exclamei então: "Um Deus sensível
"Manda repouso à dor que te devora
"Destas saudades imortais.
"Eia, esquece, eia, olvida essa extinta Lenora".
E o corvo disse: "Nunca mais".

"Profeta, ou o que quer que sejas!
"Ave ou demônio que negrejas!
"Profeta sempre, escuta: Ou venhas tu do inferno
"Onde reside o mal eterno,
"Ou simplesmente náufrago escapado
"Venhas do temporal que te há lançado
"Nesta casa onde o Horror, o Horror profundo
"Tem os seus lares triunfais,
"Dize-me: existe acaso um bálsamo no mundo?"
E o corvo disse: "Nunca mais".

"Profeta, ou o que quer que sejas!
"Ave ou demônio que negrejas!
"Profeta sempre, escuta, atende, escuta, atende!
"Por esse céu que além se estende,
"Pelo Deus que ambos adoramos, fala,
"Dize a esta alma se é dado inda escutá-la
"No Éden celeste a virgem que ela chora
"Nestes retiros sepulcrais,
"Essa que ora nos céus anjos chamam Lenora!"
E o corvo disse: "Nunca mais!"

"Ave ou demônio que negrejas!
"Profeta, ou o que quer que sejas!
"Cessa, ai, cessa! (clamei, levantando-me) cessa!
"Regressando ao temporal, regressa
"À tua noite, deixa-me comigo...
"Vai-te, não fique no meu casto abrigo
"Pluma que lembre essa mentira tua.
"Tira-me ao peito essas fatais
"Garras que abrindo vão a minha dor já crua"
E o corvo disse: "Nunca mais".

E o corvo aí fica; ei-lo trepado
No branco mármore lavrado
Da antiga Palas; ei-lo imutável, ferrenho.
Parece, ao ver-lhe o duro cenho,
Um demônio sonhando. A luz caída
Do lampião sobre a ave aborrecida
No chão espraia a triste sombra; e fora
Daquelas linhas funerais
Que flutuam no chão, a minha alma que chora
Não sai mais, nunca, nunca mais!